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29 de julho de 2017

Décima sétima leitura...{parte 2.2}


Olá, precioso leitor!

Fim de mais uma etapa de leitura de O Senhor dos Anéis, As Duas Torres.

O livro quatro - segundo livro do segundo volume da trilogia - narra a saga de Sam e Frodo após o rompimento da sociedade:

- Sméagol Domado - é o primeiro capítulo. Narra a aproximação do silencio seguidor dos hobbits e a sua captura e o trato que o safado fez com eles.

- As Escolhas de Mestre Samwise - é o último capítulo deste quarto livro. Frodo e Sam encontram a Nobre Senhora de Mordor - através de uma singular apresentação de Gollum.

As notas que marquei desta leitura são referentes à Sméagol e Faramir. 

Sobre o primeiro, há algo que deixei passar em minhas leituras anteriores: a fala de Gollum muda de acordo que o relacionamento dele com os hobbits sofre alteração. E eu achei muito sinistro. A primeira que notei aconteceu quase no mesmo instante que Sam percebeu. Segue um exemplo:

- a fala comum:
Onde esstá, onde esstá: meu Precioso, meu Precioso? É nosso, é sim, e nós quer ele. Os ladrões, os ladrões, os ladrõezinhos nojentos. Onde estão com meu Precioso? Malditos! Nós odeia eles.
A fala desta personagem é a mesma que o acompanha ao longo do filme.
O trecho seguinte remete a mudança na fala de Sméagol:

— Isso é mentira! — chiou Gollum, e uma luz maligna surgiu em seus olhos à menção do nome de Aragorn. — Ele mentiu a meu respeito, mentiu. Na verdade eu escapei, sem que ninguém me ajudasse. De fato, foi-me ordenado que procurasse o Precioso; e eu procurei e procurei, é claro que eu procurei. Mas não para o Senhor do Escuro. O Precioso era nosso, era meu, digo a vocês. Eu realmente escapei.
No Pântano Mortos já é possível perceber essa mudança. E Sam nota a mudança durante a passagem no pântano.

(...) Sam teve a impressão de sentir uma mudança em Gollum de novo. Estava mais carinhoso e supostamente amigável; mas Sam algumas vezes o surpreendia lançando uns olhares estranhos, especialmente em direção a Frodo; e ele voltava cada vez mais à sua velha maneira de falar.

Aproveitando esse trecho, mais uma coisa que acontece em Sméagol: os olhares. Cinquenta tons de verde nos olhos de antigo portador do Anel. A única vez que o olhar perde uma tonalidade significativa, é quando ele encontra Frodo e Sam dormindo - antes de apresentá-los a Nobre Senhora:
Sam estava sentado, recostado na pedra, a cabeça caindo de lado e com a respiração pesada. Em seu colo a cabeça de Frodo, imersa num sono profundo; sobre sua fronte branca descansava uma das mãos morenas de Sam, e a outra pousava suavemente sobre o peito de seu mestre. Havia paz no rosto dos dois. Gollum olhou para eles. Uma expressão estranha passou por seu rosto magro e faminto. Apagou-se o brilho de seus olhos, que ficaram opacos e cinzentos, velhos e cansados. Um espasmo de dor pareceu contorcer seu corpo, e ele se virou, olhando para trás na direção da passagem, balançando a cabeça, como se empenhado em alguma discussão interior.
A segunda personagem é Faramir. Capitão de Gordon e líder dos guardiões de Ithilien. Seu irmão é Boromir, seu pai Denethor - regente de Gondor.
Faramir e Boromir são figuras iguais mas com características intelectuais distintas. O irmão de Boromir não é apenas um bom soldado, ele é também interessado na história dos seus antepassados.
Uma das minhas frases preferidas de Faramir é a seguinte:

(...)A guerra deve acontecer, enquanto estivermos defendendo nossas vidas contra um destruidor que poderia devorar tudo; mas não amo a espada brilhante por sua agudeza, nem a flecha por sua rapidez, nem o guerreiro por sua glória. Só amo aquilo que eles defendem (...)
 Faramir é apenas um guerreiro, mas é sábio também. Enquanto Boromir sucumbiu ao poder do Um, o irmão deste se manteve firme na decisão de não conhecer além do limite de si sobre algo que destruiu seus antepassados. Para este personagem, a guerra era iminente, mas não somente a bravura era necessária. Ele sabia que o critério para se tornar um líder estava limitado pela necessidade urgente da sua época:
(...) e, embora ainda consideremos que um guerreiro deve ter mais habilidades e conhecimentos além do oficio das armas e da morte, estimamos um guerreiro, não obstante, acima dos homens de outros ofícios. Essa é a necessidade de nossos dias. Até Boromir, meu irmão, era assim: um homem de bravura, e por esse motivo era considerado o melhor homem de Gondor. E realmente era muito valoroso: nenhum herdeiro de Minas Tirith foi por tanto tempo tão dedicado em seu trabalho, tão entusiasta na batalha, nem tocou nota mais poderosa na Grande Corneta.
 Este é um dos personagens dos quais tenho mais carinho. Na minha opinião, Faramir é Aragorn sem a coroa.
Para conhecer melhor este personagem, clique aqui e aqui e conheça o trabalho dos rapazes do Tolkien Talk sobre o assunto.

Isto é tudo, anonimo leitor, logo estarei indo para o terceiro - e último - volume da trilogia.

Omnia Vanitas.

23 de julho de 2017

Décima sétima leitura..{parte 2.1}

Canasvieiras, Florianópolis/SC


Olá, leitor anônimo!

Como você deve saber, estou relendo As Duas Torres, de J.R.R. Tolkien. E, como a enredo se desenvolve em duas partes distintas, vou publicar algumas anotações referente ao terceiro livro desta sequência.

As Duas Torres compreende dois livros distintos.
O terceiro livro (que é o primeiro nesta segunda parte) compreende desde "A partida de Boromir" até o capítulo "A 'palantír'".  
Visto que a comitiva do Anel foi separada no final de A Sociedade do Anel, agora, a narrativa acontece com duas situações particulares que compreende a vida dos sobreviventes da primeira parte e novos personagens - ou personagens recauchutados.

Neste primeiro livro, Aragorn, Legolas e Gimli (sem Frodo e Sam) chegam ao socorro de Boromir quando os orcs os cercam.

Raptados pelos Uruk-hai  e os servidores de Sauron; Merry e Pippin estão fora do alcance dos três amigos que saem à caça dos raptores e à salvação dos Pequenos. 

Durante esta caçada, novos personagens encorpam a trama: os habitantes do reino de Rohan*, e, a outra personagem é sobre a qual pretendo deixar algumas palavras escritas: Fangorn.

Fangorn é a temida floresta sobre quem as histórias recomendam manter distância. É um lugar onde as árvores são hostis e velhas. 

Talvez, a ignorância e a rebeldia sejam de algum proveito - pelo menos assim o foram para esses dois desafortunados hobbits.
Fugitivos das garras de seus raptores, os Pequenos resolvem entrar em Fangorn para procurar algum abrigo longe dos orcs. E, nesta floresta singular, muitas verdades podem ser esclarecidas. 

Um dos habitantes desta floresta é a própria floresta: Fangorn, ou Barbávore.
Huum, agora — respondeu a voz -; bem, eu sou um ent, ou é assim que me chamam. Sim, ent é a palavra. O ent, eu sou, você pode dizer, no seu modo de falar. Fangorn é meu nome segundo alguns, outros me chamam de Barbárvore. Barbárvore está bom.
— Um
ent — disse Merry. — O que é isso? Mas como você próprio se chama? Qual é o seu nome verdadeiro?
— Huuu, agora! — respondeu Barbárvore. — (...) meu nome é como uma história. Os nomes verdadeiros, na minha língua, contam as histórias dos seres a quem pertencem. No velho entês, como vocês diriam. É uma língua adorável, mas leva muito tempo para se dizer qualquer coisa nela, porque não dizemos nada nela a não ser que valha a pena gastar um longo tempo para dizer, e para escutar.
Um "ent" na mitologia tolkieniana é um "pastor de árvores". A expressão deles e andar pelas floresta para cuidar do seu rebanho. Bárbavore é um ent e, na minha opinião, é o outro lado filosófico da trama - a primeira seria Tom Bombadil.
Mais uma vez, os hobbits encontram um ser antigo da floresta - mas não enigmático como Tom.
Em Fangorn pode-se aprender sobre os magos:
Não conheço a história dos Magos. Eles apareceram primeiro, depois que os Grandes Navios vieram através do Mar; mas se vieram com os Navios eu não sei.
E Fangorn é a representação da repulsa que Tolkien tinha das indústrias:
Acho que agora entendo o que ele pretende. Está tramando para se transformar num Poder. Tem um cérebro de metal e rodas, e não se preocupa com os seres que crescem, a não ser enquanto o servem.
(...)
Alguém que entrasse e saísse no outro lado desse túnel ecoante veria um grande círculo, plano, meio escavado como uma enorme vasilha rasa: media uma milha de borda a borda. Já fora verde e cheio de avenidas e bosques de árvores frutíferas, aguadas por riachos que corriam das montanhas e desembocavam num lago. Mas nada verde crescera ali nos últimos tempos de Saruman. As estradas foram pavimentadas com lajes de pedra, escuras e duras; e margeando-as, em vez de árvores, marchavam longas fileiras de pilares, alguns de mármore, outros de cobre e de ferro, ligados por pesadas correntes. Havia ali muitas casas, cômodos, salões e corredores, que cortavam e perfuravam as muralhas do lado interno, de modo que todo o círculo aberto era vigiado por inúmeras janelas e portas escuras. Milhares podiam morar lá, trabalhadores, servidores, escravos e guerreiros com grandes estoques de armas; lobos recebiam alimento e abrigo em profundas tocas mais abaixo. A planície também era escavada e perfurada. Poços fundos tinham sido cavados no chão; suas extremidades superiores eram cobertas por montículos baixos e abóbadas de pedra, de modo que ao luar o Círculo de Isengard parecia um cemitério de mortos inquietos.

Querido leitor, é o ou não uma descrição dos arranha-céus que cruzam este país com trabalhadores inquietos.

E Fangorn tem uma característica peculiar: ela caminha.
No livro de David Colbert¹ a explicação deriva de uma frustração de Tolkien ao descobrir que a floresta, na obra de William Shakespeare - Macabeth, não caminhou, realmente. Foram inimigos que se disfarçaram de galhos e folhas. Para isso, Tokien respondeu: "Anseie por inventar um cenário no qual as árvores pudessem realmente marchar para a guerra". E marcharam. Os Ents e os Huorns. Abaixo eu deixo a explicação de Merry para esta última classe de ents:

"(...) são ents que ficaram quase como árvores, pelo menos na aparência. Ficam aqui e acolá na floresta, ou nas suas bordas, silenciosos, vigiando sem parar as árvores; mas nos vales profundos há centenas e centenas deles, eu imagino.
— Há um grande poder neles, e parece que têm a capacidade de se ocultar nas sombras: é difícil vê-los se movendo. Mas eles se movem. Podem andar muito rápido, se estiverem furiosos. Você fica parado olhando para o tempo, talvez, ou ouvindo o farfalhar
das folhas, e de repente descobre que está no meio de um bosque com grandes árvores tateando à sua volta. Eles ainda têm vozes, e conseguem falar com os ents — é por isso que são chamados de huorns, pelo que diz Barbárvore — mas ficaram esquisitos e selvagens. Perigosos. Eu ficaria apavorado se os encontrasse e não houvesse nenhum ent verdadeiro para cuidar deles".

Voltando ao passinho do romano, os huorns (quase-árvores) foram aqueles que caminharam na Batalha do Abismo de Helm - para auxiliar na vitória de Rohan sobre os servos de Saruman; enquanto os ents permaneceram em Isengard para fazer a limpeza da casa.
— Descemos da última cordilheira entrando em Nan Curunír, depois do cair da noite — continuou Merry. — Foi nesse momento que senti pela primeira vez que a própria Floresta caminhava atrás de nós. Pensei que estava tendo um sonho de ent, mas Pippin também tinha notado. (...) — Mas embora eu não pudesse ver o que estava acontecendo na escuridão, acredito que os huorns começaram a rumar para o sul, logo que os portões se fecharam de novo. Acho que o negócio deles era com os orcs. Já estavam lá embaixo no vale pela manhã; ou pelo menos havia uma sombra que ninguém conseguia atravessar com os olhos".

 Esta é a minha aplicação do terceiro livro de O Senhor dos Anéis em As Duas Torres.

Omnia Vanitas

*Éomer é uma graça
¹ - O Mundo Mágico do Senhor dos Anéis.


15 de julho de 2017

Décima sétima leitura.. {parte um}


Primeira leitura: outubro/2003
Segunda leitura: 16/08/2011 - 28/08/2011
Terceira leitura: 30/06/2017 - 15/07/2017

Olá, amigo leitor!!

Terminei, hoje, a primeira parte da leitura de O Senhor dos Anéis, do professor John Ronald Reuel Tolkien. Eu vou computar como uma leitura, apesar de a obra conter três livros; pois o professor tinha a intenção de publicar apenas um livro e não três - mas a editora não concordou com a ideia e separou o em três livros e, dos três, Tolkien concordou apenas com o título do primeiro. 

Por ser uma leitura longa e muito detalhada, decidi fazer uma publicação para cada livro.

A Sociedade do Anel, primeiro tomo, dois livros.

O livro (completo) foi uma encomenda feita pela editora depois do sucesso de O Hobbit, e foi terminado depois de doze anos de produção. Por ser um obra de grande volume (mais de mil páginas), a editora, por uma questão de logística para a época, precisou separar o livro em partes; o que deixou o autor não muito satisfeito, mas assim foi feito.

O primeiro tomo de SdA contém dois livros: 

- o primeiro começa com a festa de aniversário de Bilbo Baggins (protagonista de O Hobbit) até a fuga de Frodo, Sam, Merry, Pippin e Passolargo dos Cavaleiros Negros.

- o segundo relata a chegada em Valfenda (Rivendel) até a rompimento da comitiva do Anel (formada em Valfenda).

Segundo a revista The Sunday Times, "o mundo está dividido entre aqueles que já leram O Hobbit e O Senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram".  Eu enfatizo a palavra "ainda" - e incluo nesta lista aqueles que assistiram aos filmes de Peter Jackson; c'est la vie

Sou apaixonada pela obra do professor por ter a conhecido através primeiro filme e, antes de lançar As Duas Torres, eu já estava familiarizada* com o livro e colocando defeito em tudo. #soudessas.

Eu não pretendo entrar na disputa interminável sobre as diferenças que existem entre estas duas obras; amo os livros e não assisto mais aos filmes em respeito ao trabalho do professor - e conheço pessoas que não conseguem iniciar a leitura por achá-la enfadonha. Gosto não se discute. 

Esta obra, completa, tem muitos pontos que poderiam, por si, compor ótimas publicações; mas não pretendo enveredar por este caminho, logo, escolhi um personagem que chamou minha atenção desde a primeira leitura.

Se você, assim como eu, iniciou seu vida tolkieniana através do filme, percebeu, durante a leitura, um personagem, no mínimo, estranho inserido na trama - e sem concluir quem é e porque está na trama: Tom Bombadill.
Ei boneca! Feliz neneca!
Dingue-dongue dilo!
Dingue-clongue! Não delongue!
Largue logo aquilo! Tom Bom, jovial
Tom, Tom Bombadillo
Este personagem é inserido no enredo quando os hobbits (Merry, Pippin, Sam e Frodo) estão atravessando a Floresta Velha e um deles é atacado pelo Salgueiro-Homem.

{Eu não quero entrar neste mérito das árvores da Floresta Velha e Fangorn (As Duas Torres) para não citar a gama simbólica que Tolkien usou para criar sua fantasia - seria uma publicação longa e meu material é escasso}.

Quem é Tom Bombadil? - esta é a pergunta que Frodo fez a Fruta D'ouro - que mora com Tom.
Ele é o Senhor da Floresta, das águas e das colinas.
E a pergunta é repetida àquele a quem se refere, e a resposta foi uma pergunta muito filosófica, que eu tenho registrado na memória desde a primeira leitura:

(...) Diga-me, quem é você, sozinho e sem nome?
E a continuação da resposta é a seguinte:
Tom Bombadill já estava aqui antes do rio e das árvores; Tom se lembra da primeira gota de chuva e do primeiro broto de árvore. Fez trilhas antes das pessoas grandes, e viu o povo pequeno chegando. Já estava aqui antes dos Reis e dos túmulos e das Criaturas Tumulares. Quando os elfos passaram para o oeste, Tom já estava, antes de os mares serem encurvados. Conheceu o escuro sob as estrelas quando não havia medo - antes de o Senhor do Escuro chegar de Fora.
E, sim..ele fala de si na terceira pessoa do singular.

Segundo os personagens desta parte da obra, Elrond comenta:
Viajei por aquelas terras uma vez, e conheci muitas coisas estranhas e selvagens. Mas tinha me esquecido de Bombadil, se é que esse é o mesmo que caminhava nas florestas e colinas há muito tempo, e mesmo naquela época ele era mais velho que os velhos. Nesse tempo, tinha outro nome. Chamavam-no de Iarwain Ben-adar, o mais antigo e sem pai. Mas outros nomes lhe foram dados por vários povos: Forn pelos anões, Orald pelos homens do Norte, e outros nomes além desses. (...) É melhor dizer que o Anel não tem poder sobre ele. Ele é seu próprio senhor.
Sobre esta última afirmação de Elrond, pode-se ler o que acontece quando Tom Bombadill utiliza o Um na presença dos hobbits, no primeiro livro:
- Mostre-me o precioso Anel! - disse ele {Tom Bombadill} de repente, em meio à história: e Frodo, para a própria surpresa, puxou a corrente do bolso, e soltando dela o Anel, entregou-o imediatamente a Tom.O Anel pareceu crescer por um momento naquela grande mão morena. Então, de repente, Tom ergueu-o na altura dos olhos e riu. Por um segundo os hobbits tiveram uma visão, cômica e alarmante, de seu olho azul brilhando através do círculo de ouro. Depois Tom colocou o Anel na ponta de seu dedo mínimo, levando-o para perto da luz da vela. Por um momento, os hobbits não perceberam nada de estranho a respeito disso. Então ficaram pasmos. Nenhum sinal de Tom desaparecer.Tom riu de novo, e jogou o Anel para os ares - e ele sumiu num clarão.
"Ele é seu próprio senhor". É muito interessante esta colocação, pois o enigma sobre quem é Tom Bombadill não chega a ter muitas explicações. Se Gandalf, o cinzento, foi um Ainu que veio para Eä e tornou-se um Vala - e ele ainda sofre com o poder do Um sobre si; então, quem é Tom Bombadill que é imune ao poder da joia de Mordor?

E, a conclusão de Glorfindel, no Conselho de Elrond:
Acho que, no fim, se todo o resto for conquistado, Bombadil sucumbirá, vindo a ser o último, da mesma forma como foi o Primeiro; e então a Noite virá.
Essa é a pontuação que fiz sobre o personagem de Tom Bombadill durante esta terceira leitura. Sei que ela é curta e sem conclusão.. Quem sabe com a chegada de meu novo livro (aguardem) eu possa compreender melhor este personagem (e fazer uma adendo sobre)?

Omnia Vanitas.


*louca de pedra


5 de julho de 2017

+ dois..


Olá, exausto leitor!

Se você acha que trabalhar em um sebo é um trabalho leve; re-pense! Dia agitado de trabalho: cadastro de livros (higienizar, etiquetar, preço, códigos e descrição do exemplar), organização de prateleiras e separar por ordem alfabética de autor nas estantes ... Amo tudo isso, mas meu corpo e mente, às vezes, me mandam uma mensagem de "Segura a emoção, querida" e eu só penso em dormir e ler.

E, já que escrevi "ler" ..veja, só, entusiasmado leitor: minha comprinha chegou!!! Como estou relendo Tolkien desde o dia primeiro dia do mês de junho deste ano, algumas compras se fizeram previsíveis. 
Os Filhos de Húrin e A História de Kullervo fazem parte das publicações inacabadas do professor Tolkien - e motivo de discórdia entre leitores tolkienianos: gente que acha que o filho do autor, Christopher Tolkien, explora os manuscritos deixados - como herança - pelo pai deste herdeiro.
Confesso que tenho lá minhas suspeitas sobre o primeiro livro pois os personagens desta história têm sua história narrada em outros dois livros: O Silmarillion e Contos Inacabados. Porém, como todo leitor interessado, eu tenho ambos exemplares. E qual é diferença entre eles? Em O Silmarillion a história surge sem tantos detalhes que em Contos Inacabados. E em Os Filhos de Húrin: ainda não li, mas tem as ilustrações de Allan Lee - logo na primeira folheada é bem perceptível (rs).
Os filhos de Húrin, da Casa de Hador:  Túrin Turambar e Nienor são personagens de uma história trágica. A narrativa acontece na Primeira Era da Terra-Média. Túrin (nascido em 464 - e sua morte no ano de 499) é da raça dos Homens e fadado à tristeza -  e a sina de cumpre até o último dia de sua vida.
A História de Kullervo é um livro que narra a história sombria (e inacabada) deste personagem. O conto é baseada em um texto finlandês intitulado Kalevala. Este conto deixou o professor tão fascinado que a maioria dos vocábulos criados por ele são inspirados na língua finlandesa. 
O livro apresenta os rascunhos de Tolkien - quando o professor ainda estava por volta dos vinte anos; e, também, compõe este exemplar alguns ensaios sobre este conto. Eu me atrevo a dizer que esta obra, assim como Contos Inacabados, é um livro de estudo - para o conhecimento sobre todos os textos de O Silmarillion e a composição da Terra-Média.

Sendo isso que tenho a declarar, termino aqui.



29 de junho de 2017

Décima Sexta leitura..


Saudações, aventureiro leitor!!

Em meio a mais uma mudança de endereço, encontro-me na sala vazia do antigo apartamento tendo a minha volta as últimas caixas com meus pertences mortais que habitavam este delicioso espaço na cidade de São José/SC. Mudanças ..

Fim de mais uma releitura. 
1ª leitura: junho de 2003
2ª leitura: 09/08/2011 - 16/08/2011
3ª leitura: 04/11/2013 - 10/11/2013
4ª leitura: 18/06/17 - 29/06/2017

Que delícia é ler O Hobbit, do professor J.R.R. Tolkien. E, como estava em processo de mudança, todas as saudades que Bilbo Baggins (Bolseiro) sentia de sua toca, eu sinto deste espaço que estou deixando; logo, eu compreendia o quanto ele sentia saudade da sua lareira e do seu cachimbo - toda a intimidade e comodidade do seu lar.

...naquele mesmo momento sentiu o maior cansaço que lembrava já ter sentido. Estava mais uma vez pensando em sua confortável cadeira diante do fogo, na sala favorita de sua toca, e na chaleira cantando. Não pela última vez!

Não foi a última vez... Depois de ser posto em uma aventura, tirado do seu sossego e conforto, Bilbo Bolseiro se encontra em uma comitiva com treze anões e um mago para vingar, matar e recuperar o tesouro e o título que foi tirado do chefe dos anões, Thorin Escudo de Carvalho pelo fogo de um dragão chamado Smaug.

Todo leitor de Tolkien sabe que os anões são seres gananciosos e difíceis de agradar e fácies de guardar mágoa. Thorin não era exceção. Reuniu uma comitiva que lhe era familiar e rumou, junto com o ladrão que Gandalf, o mago, arrumou para ele: o senhor Bilbo Bolseiro, para recuperar o que era seu por herança.

E sobre o dragão, ele foi o menor dos problemas. Apesar das vítimas que fez, apesar do medo que causou, não foi Smaug quem precisou ser considerado uma perigo. 
Como eu já escrevi, anões são gananciosos e, quando o ouro foi visto e tocado, o mais nobre coração anão - desde o velho até o jovem - se deixou levar pelo metal precioso. 

Pode ser que um leitor sem experiência leia O Hobbit como uma literatura infantil - e se  deixe levar pela sua narrativa clara e simples. Porém, não vou deixá-lo neste engano, interessado leitor. Este livro tem uma fantástica lição sobre poder, vingança, ganância e amizade. 

Durante a aventura, o pacato hobbit - mesmo saudoso do seu lar - encontra em si coragem, raciocínio rápido e senso coletivo que o deixaram impressionado. Não era um hobbit estúpido como um Sacola-Bolseiro ou um Fossador que se deixava intimidar por novidade. Sua metade na descendência Tûk o remetia a uma classe - não bem vista - de aventureiros. 

Mesmo Peter Jackson fazer do livro uma aventura com um excesso de lutas/batalhas e com personagens que não existem (e outros fora de contexto), o livro sempre será um ótimo companheiro para todos que queiram se deixar encantar pela magia de Tolkien.

Notas pessoais de leitura:
Personagem preferido: Beorn
Parte Preferida: o encontro com Beorn
Capítulo Preferido: Moscas e Aranhas
Citação preferida: "Algumas folhas caíam farfalhando para lembrá-los de que lá fora o outono se aproximava. Seus pés afundavam nas folhas mortas de outros incontáveis outonos, trazidas pelo vento dos espessos tapetes rubros da floresta para as margens da trilha".

Omnia Vanitas